AMP e UFMG promovem encontro entre jornalistas e profissionais da saúde para discutir sobre suicídio

“I Encontro da AMP com jornalistas mineiros sobre o suicídio e a mídia” foi realizado na Faculdade de Medicina da UFMG e analisou como a imprensa aborda questões relacionadas ao suicídio

No dia 25 de setembro, quarta-feira, aconteceu o “I Encontro da AMP com jornalistas mineiros sobre o suicídio e a mídia”. Realizado em parceria com o Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG e com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, o evento contou com a participação de diversos jornalistas e estudantes da área da Comunicação e da Saúde. Através do diálogo entre os participantes, o evento promoveu debates que analisaram como a imprensa aborda questões relacionadas ao suicídio e de que forma a mídia impacta na vida de seu público.

O evento teve início com a fala do presidente da Associação Mineira de Psiquiatria e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Humberto Correa, que enfatizou a importância do evento para que jornalistas e profissionais da saúde discutam sobre a temática de forma conjunta e reflitam em maneiras da imprensa ajudar o setor de saúde mental quando se trata de suicídio.

A palestra “Saúde Mental e a Mídia” foi ministrada pela pesquisadora e  professora e do curso de Jornalismo do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre, Juliana Lofego. Para a pesquisadora, ainda se fala pouco sobre suicídio na mídia dentro dos cursos de jornalismo do país. “Devido a essa falta de orientação, ainda existem tabus e orientações informais a profissionais da imprensa, além dos compartilhamentos nas mídias digitais com excesso de sensacionalismo”, disse. Ao longo da atividade, a jornalista também compartilhou dicas de como publicar temáticas relacionadas ao suicídio de forma ética, como procurar fontes confiáveis, destacar alternativas ao suicídio, fornecer informações sobre números de telefones e endereços de grupos de apoio e serviços onde se possa obter ajuda, trabalhar em conjunto com autoridades da saúde na apresentação dos fatos, entre outros fatores.

Mais informações podem ser encontradas no documento “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM MANUAL PARA PROFISSIONAIS DA MÍDIA”, publicado pela Organização Mundial da Saúde.

Após a palestra, o Encontro promoveu a mesa-redonda “A cobertura jornalística do suicídio. Estamos fazendo correto?”, mediada pela presidente do Sindicato de Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Alessandra Mello, e com a presença dos jornalistas Eduardo Costa (Rádio Itatiaia e TV Record Minas), Flaviane Paixão (O Tempo), Nair Prata (UFOP) e Vivian Santos (TV Globo Minas).

Durante o debate, a jornalista e pesquisadora Nair Prata reafirmou a importância de se falar sobre suicídio e mídia ainda na graduação. “Além disso, quando falamos sobre mídia, não devemos considerar apenas os meios institucionais. Nesse caso, as redes sociais também possuem um grande impacto”, afirmou Nair.

Eduardo Costa afirmou que é fundamental falar sobre o suicídio na mídia. Citou alguns exemplos de cobertura sobre o tema na Rádio Itatiaia, que ele nunca considerou sensacionalistas.

Flaviane Paixão, coordenadora de jornalismo do Jornal O Tempo, apresentou ao público alguns dos trabalhos feitos pelo jornal sobre suicídio, como reportagens audiovisuais e capas de jornais, inclusive uma matéria com o título: Porque falar de suicídio, com ampla repercussão entre os leitores.  Já a jornalista Vivian Santos relembrou a dificuldade da imprensa em saber lidar e saber como falar sobre suicídio com seu público. “E isso se intensifica com a grande transformação na comunicação em um curto espaço de tempo, através das redes sociais, por exemplo. Por isso devemos utilizar a tecnologia de forma inteligente, ao nosso favor”, enfatizou Vivian. Ao final do evento, foi aberta a rodada de perguntas e discussões entre participantes e público.

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