Carlos Bracher e a psiquiatria

O  artista plástico Carlos Bracher realiza mais uma de suas exposições, que se estenderá até o final deste mês. Desta vez o palco é a Galeria Otto Cirne, da Associação Médica de Minas Gerais. O objetivo é fazer com que as obras de Bracher sejam alvo de reflexão não somente para o público que frequenta a instituição, mas, principalmente, para os profissionais de psiquiatria que estarão presentes  na XXI Jornada Mineira de Psiquiatria a ser realizada de 20 a 22 de junho.

Aos 62  anos de atividade, Carlos Bracher é considerado hoje um dos maiores artistas plásticos brasileiros da atualidade. Nasceu em Juiz de Fora e desde quando se entendeu como artista enamorou-se pelo expressionismo, movimento do qual teve grande influência do escultor francês Auguste Rodin.   Depois foi Vincent Van Gogh, o atormentado pintor holandês que exerceu grande fascínio no artista com seu impressionismo. Desde 1959, Bracher vem emprestando sua arte ao mundo das telas e das esculturas.  Foram mais de 200 exposições individuais no Brasil e no exterior, além de participação em inumeráveis outras coletivas. Diversos prêmios e honrarias fazem parte do seu cotidiano, destacando-se o Prêmio Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1967, que lhe rendeu exercer a sua arte por dois anos em Paris. Entre 2014 e 2015, o Centro Cultural Banco de Brasil (CCBB) realizou a mostra Bracher: Pintura & Permanência, no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, tendo atraído 455 mil visitantes, o que foi considerado o recorde de um artista brasileiro.

. Qual a sua avaliação sobre ter uma exposição em um local onde se discutirá a mente humana e suas contradições?

Acho importantíssima essa questão. A arte é um conjunto profundo das discussões psíquicas. Talvez  seja ela, a arte, a questão mais próxima da psiquê humana e que melhor traduz as obsessividades ocultas e invisíveis da mente,  dos fragores e injunções da alma humana.

. Qual o significado de sua arte?

Eu tento me expressar através das cores e das formas, este é o meu mundo, com o qual convivo desde a juventude. Tudo que penso, imagino  e sinto, está envolvido neste universo de profundas paixões e grandes encantamentos pela vida. A vida , no fundo, é o meu clamor. Van Gogh é meu “deus”.  Embora não tenha a sua personalidade, identifico-me com o que ele fez, viajo na sua arte conturbada. Meu trabalho é emoção,  é agonia , é descortesia. Ao pintar um quadro deixo de ser cerebral, entro em transe. Saio de mim para entrar na tela.

– Qual foi sua primeira influência?

Eu comecei em arte pela escultura, quando aos 16 anos deparei-me  com a obra de Rodin, aí vi, que meu caminho estava traçado, como que uma face do meu próprio destino. Fiz esculturas durante uns três anos e, pouco a pouco, fui me envolvendo com a pintura, que tornou-se a minha grande forma de amar. Por outro lado, uma outra arte com a qual muito me envolvo é a literatura. Hoje pertenço à Academia Mineira de Letras.

. Em quais movimentos artísticos sua obra se enquadra?

Considero-me, sobretudo, um artista impressionista pois reinterpreto à minha maneira tudo que me envolve e que me impacta de uma forma muito forte e intensa, até mesmo caótica.

O Sr. costuma retratar cidades barrocas como Ouro Preto e metrópoles como São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Muitas dessas obras são soturnas. Por quê?

Sim, já retratei todas essas cidades e muitas outras mais. A questão soturna pode variar muito de cidade em cidade ou de épocas diferentes de minha vida. Porque, claramente, Ouro Preto tem uma sintonia mística e ligada ao passado, portanto, passando-nos um sentimento de nostalgia, enquanto, ao contrário, Brasília é uma cidade solar, sendo minha série pintada lá, ao contrário, uma explosão de cores.

 

Fotos: acervo Carlos Bracher

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