Simpósio de Prevenção movimenta salão nobre da Faculdade de Medicina

A abertura do II Simpósio de Prevenção do Suicídio da UFMG/Associação Mineira de Psiquiatria lotou o salão nobre da Faculdade de Medicina da UFMG na noite de ontem, dia 16.  O evento, que tem continuidade hoje à noite, foi aberto pelo deputado Lucas Gonzales, presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Suicídio e Automutilação da Câmara Federal.  O deputado fez uma explanação sobre a Lei 13.819, de 26 de abril deste ano, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, a ser implementada  pela União.

Sobre a criação da Frente Parlamentar em julho, o deputado disse que as estatísticas sobre o suicídio no Brasil são alarmantes e que o parlamento precisava fazer alguma coisa para tentar evitar o aumento dos casos.  Segundo o parlamentar, a Frente é de importância fundamental para  principalmente três questões: atrair a sociedade civil para a causa, fazer com que o parlamento fiscalize a lei e, ainda, que nós deputados pensemos em novas legislações, aprimorando a que criamos. “O Setembro Amarelo é um período onde se levanta a questão do suicídio com mais ênfase, mas o assunto não pode ser esquecido durante o resto do ano”, completa o deputado.

História do Suicídio

Humberto Correa, presidente da Associação Mineira de Psiquiatria e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG falou sobre o Setembro Amarelo, sua história, significado e importância. Conforme  o professor, dedicar o mês de setembro ao combate ao suicídio é fundamental para conscientizar toda a sociedade sobre uma questão que hoje é vista pelo SUS como problema de saúde pública.

Professor Humberto deu uma aula sobre suicídio, demonstrando seus aspectos culturais e seu significado em cada civilização, deixando claro que, ao longo do tempo, o suicídio se transformou em tabu visto aos olhos do mundo cristão ocidental. Explicou a razão do aumento do número de casos no Brasil e no mundo, Humberto correia lembrou da necessidade de limitação aos acessos às tentativas de suicídio, entre eles as armas de fogo: “A nossa Estratégia Nacional de Prevenção  ao Suicídio ainda engatinha perto da de outros países, onde o combate ao suicídio está muito mais adiantado”, completa.

Outras participações

O simpósio contou ainda com a presença de diversos palestrantes, entre eles, Vivian Zicker, representante do Grupo de apoio aos Enlutados da UFMG (GAES-UFMG). “O suicídio não é uma forma socialmente aceita e  nós do GAES chamamos os parentes dos suicidas de sobreviventes”. Desta forma a psicóloga Vivian Zicker iniciou sua palestra, levantando a importância de se trabalhar o luto após a perda de um ente querido por suicídio, processo chamado de “posvenção”.  Para ela, são várias as medidas que favorecem a expressão de idéias e sentimentos relacionados ao trauma e à elaboração do luto e o GAES vem ao longo do tempo fazendo um trabalho muito importante na recuperação dessas famílias.

Ainda ontem participaram como palestrantes do Simpósio Renata Borges da Silva Lins, do Projeto V.I.D.A.S, o Capitão Kleber Silveira de Castro, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e Tatiana Tscherbakwski, da UFMG, que falou sobre a Liga de Saúde Mental e a Prevenção do Suicídio.

O evento teve continuidade na terça-feira,  com uma programação também noturna, de 19 às 21h30, e  participação de  instituições como  o Centro de Valorização da Vida, representado pelo voluntário  Luiz Augusto, que contou sua experiência com o trato da Prevenção. Luiz Alvim discorreu sobre o Suicídio entre Crianças e Adolescentes e a Posvenção e Luciana Rocha falou  Como Sobreviver ao Ato Suicida.

 

 

 

 

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