Fechamento do Galba Velloso é tema de Audiência Pública na Câmara de BH

A Câmara Municipal de Belo Horizonte abriu suas portas remotamente para uma audiência pública no dia 24 de junho que discutiu a importância da permanência e do funcionamento do Hospital Galba Velloso, fechado pelo governo do estado a novos pacientes há três meses e sem perspectivas de reabertura, pelo menos a médio prazo. A alegação da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que administra o Galba, era de que o fechamento se daria temporariamente até a pandemia passar, e o hospital seria adequado para ali funcionar leitos de pacientes da Covid-19. Os pacientes que lá se encontravam tiveram alta, sem condições de obtê-la segundo os especialistas, e alguns foram encaminhados para o Raul Soares, já lotado. Funcionários foram pegos de surpresa não somente com este fechamento abrupto, segundo o vereador Bernardo Ramos, mas também quando recentemente o Minas Gerais publicou determinação do governador transferindo funcionários do HGV para outras unidades hospitalares,sem nenhum aviso prévio.

Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo,a própria sociedade e até mesmo autoridades tratam a psiquiatria com preconceito. “Temos a missão de fazer o melhor por nossos pacientes, principalmente aqueles que vivem em sistema de vulnerabilidade social, mas se são deixados sem tratar, sem medicamentos, podem se tornar violentos”,diz Antônio Geraldo, ao se referir ao fechamento de um dos três hospitais dedicados à doença mental no estado.

Já o presidente da Associação Mineira de Psiquiatria (AMP), Humberto Correa,reforçou a tese  de que a reforma para adequar as instalações do hospital com leitos de campanha seria mais demorada e mais onerosa que a construção de um hospital de campanha. O presidente da AMP falou do risco que a saúde mental mineira está correndo com pacientes sem chances de serem atendidos, se houver surto, principalmente na pandemia. Levantou que pessoas ligadas à anticiência podem estar se beneficiando desta posição do governo, daí a pergunta: “Que lado estaremos? Dos pacientes mais vulneráveis ou daqueles que não comprometidos com a anticiência”?

Reformas e readequação

Médicos, funcionários e parentes de pacientes alegaram que as reformas até hoje não foram efetuadas e que não há mais prazo para adaptar as dependências do hospital, objetivando o atendimento de pacientes com Covid-19.O ideal, segundo médicos e especialistas, seria aprimorar o atendimento do hospital, não fechá-lo.

A presidente da Câmara e requerente da audiência, vereadora Nely Aquino, defendeu o diálogo e disse que é importante buscar soluções, principalmente neste período de isolamento quando os problemas psíquicos são agravados.

Como o governo alegou baixa ocupação dos leitos no Hospital Galba Velloso e do Hospital Raul Soares, o psiquiatra Diego Tinoco Rodrigues levantou dados provando que essa informação não procedia, pois nos anos de 2017 e 2018, e de janeiro a junho de 2019, a taxa de ocupação do HGV foi acima de 80%, o mesmo ocorrendo no Raul Soares, nos anos de 2018 e 2019. O psiquiatra explicou, ainda que, em dezembro de 2019, o Galba Velloso contava com 120 leitos operacionais e o Raul Soares com 81.

Paula Aparecida Gomes, psiquiatra do Galba Velloso, cobra do governo do estado e informa: “Se hoje é temido o colapso do sistema de saúde com a Covid-19, o colapso dos atendimentos na área de psiquiatria é uma antiga realidade. Os hospitais psiquiátricos precisam ser incluídos na central de leitos do governo do estado, assegurando mais transparência para a real demanda por atendimentos na área de saúde mental”, diz.

Estiveram presentes ainda na audiência, Maria da Conceição, mãe de paciente psiquátrico, Carlos Augusto Martins, presidente da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais do Estado de Minas Gerais (Asthemg) e os vereadores Pedro Bueno e Fernando Borja.

Clique aqui e confira a audiência na íntegra.

 

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