Transtornos alimentares na pandemia

Transtornos alimentares na pandemia foi o segundo tema do Ciclo de Webinares da AMP, que tem chamado a atenção dos profissionais do setor psiquiátrico não só de Minas, como do Brasil e do exterior. O webinar ocorrido no dia 24 de junho, com a presença do palestrante Rodrigo Huguet, que falou sobre a ‘Compulsão Alimentar na pandemia’, contou também com a participação da palestrante Fátima Vasconcelos, que dissertou sobre o  tema ‘Transtornos alimentares e comorbidades’. Rodrigo Huguet  é coordenador da Comissão de Interconsulta Psiquiátrica da Associação Mineira de Psiquiatria (AMP) e  Fátima Vasconcelos  é presidente da Associação de Psiquiatria do Rio de Janeiro e diretora da Associação  Brasileira de Psiquiatria (ABP). O debate  foi coordenado por  Rodrigo Almeida Ferreira – psiquiatra, preceptor da Residência do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg).

Transtorno Alimentar – mais prevalente

Em sua explanação, Rodrigo Huguet, disse que o transtorno alimentar é o mais prevalente de todos.  Normalmente, são pessoas que se alimentam muito rápido e depois, sentem-se culpadas, mas não vomitam. Muito comum o transtorno estar associado a comorbidades físicas e mentais. ‘Com a pandemia, a tendência tem sido de aumento destes casos não só em gente portadora da compulsão alimentar, mas na população de uma forma geral. Estudos realizados nos Estados Unidos, Holanda e Austrália recentemente comprovaram isso’, diz o médico.

Se por um lado o isolamento social tem sido benéfico para as pessoas estarem mais com suas famílias, tem havido um aumento da compulsão proporcional à necessária prática de exercícios físicos. Huguet levantou algumas questões importantes para evitar o transtorno na pandemia:  evitar os episódios de jejum, fazer mudanças nos seus hábitos alimentares, não comprar alimentos além do que vão consumir e tentar tomar suas refeições à mesa, comendo devagar e mastigando bem os alimentos, valorizando o que está ingerindo. O psiquiatra levantou que, se for o caso serão necessários tratamentos psicoterápicos, a serem avaliados pelos psiquiatras.

Bulimia, a doença que mais mata na psiquiatria

Fátima Vasconcelos levantou a importância de focar sua fala em três transtornos: a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno por compulsão alimentar, que têm alta prevalência de outras doenças em sua composição.  ‘São transtornos emocionais e mentais, que expressam alteração de comportamento importantes. Para tratá-los, o psiquiatra necessita  conhecer o paciente e suas comorbidades e a quais outros abusos de substâncias ele associa à sua doença’, enfatiza a psiquiatra.

A médica levantou números impressionantes. A anorexia tem a maior taxa de mortalidade entre as doenças psiquiátricas. E em cada grupo de cinco mortes por anorexia, um é causado por suicídio, a taxa de mortalidade por bulimia é de 1.9 e 35,6% de pacientes com transtorno por compulsão alimentar tentaram suicídio pelo menos uma vez na vida.

A Covid-19 tem mudado o comportamento das pessoas, principalmente aquelas que cumprem o isolamento social. A psiquiatra levanta os eventos traumáticos que impactam na saúde mental das pessoas, o medo do contágio, o isolamento que traz ansiedade e solidão, além de ser contra a natureza humana. Para Fátima Vasconcelos, os pacientes com os transtornos citados acima tendem a ter sua saúde mental piorada, necessitando de cuidados ainda maiores. A médica disse do impacto emocional nas pessoas que perderam familiares para a Covid-19, profissionais da saúde, de segurança e a população em geral. Levantou o aumento da ansiedade e da depressão e enfatizou que não se sabe ainda o efeito direto dos pacientes com doenças físicas e distúrbios mentais depois da pandemia.

 

 

 

 

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