Webinar antecede Setembro Amarelo com tema sobre Cinema e suicídio

Com a presença de profissionais da saúde mental de todo o país, a Associação Mineira de Psiquiatria (AMP) realizou no dia 30 de agosto, terça-feira, o webinar “Cinema, Psiquiatria e Suicídio”. O evento que antecedeu a abertura  da campanha “Setembro Amarelo” contou com a coordenação da psicóloga Flávia Fleury e participação dos palestrantes psiquiatras Humberto Corrêa, Elie Cheniaux e Rodrigo Huguet.

Elie Cheniaux, psiquiatra do Rio de Janeiro foi o primeiro a proferir sua palestra, versada sobre o tema “Transtorno bipolar e cinema”. Cheniaux levantou uma série de filmes, mas discorreu  sobre três deles, entre os quais a biografia de Van Gogh de 1956. Sede de Viver, estrelado por Kirk Douglas e dirigido por Vincente Minnelli e George Cukor, deixa transparecer que  o  artista talvez sofresse de transtorno bipolar. A doença pode ter contribuído para sua criatividade?  “A doença não produz o talento, mas aumenta a criatividade de quem já nasce com ela”, diz o especialista.

O presidente da AMP, Humberto Corrêa falou sobre o tema “Conhecendo os transtornos mentais por meio dos filmes”. Inicialmente o professor Humberto fez um breve relato da história da sétima arte no mundo. As horas foi o filme escolhido pelo palestrante para lembrar os momentos angustiantes da vida de Virgínia Wolf, que, vitimada por depressão e outras doenças,  suicidou-se em um rio próximo à sua casa. O psiquiatra lembrou ainda o impacto do suicídio nos familiares sobreviventes no filme Helena, dirigido por Petra Costa, irmã da biografada. O documentário com um roteiro emocional e contundente traz a reação de mãe e filha à morte de Helena. Para Humberto, o cinema, como a imprensa, pode causar também o efeito contágio: “A mídia necessita tomar muito cuidado ao divulgar suicídios para  evitar que eles se reproduzam. A preocupação também serve para o cinema.  Citamos como exemplo a série As treze razões, da Netflix, que, ao glamourizar o  suicídio, pode ter provocado um aumento da taxa de casos à época de sua exibição, motivando uma reação  da OMS quanto a sugestões para o cinema ao abordar temas relacionados a doenças mentais que levem ao suicídio”. 

Para Rodrigo Huguet, diretor da AMP que discorreu sobre Cinema e suicídio – outras impressões, as pessoas pensam no suicídio como em uma fuga e que os psiquiatras sabem que o ato extremo pode se prever. Lembrou o filme estrelado por James Stewart, em 1946, A Felicidade não se compra, quando o protagonista alcoólatra tentou, mas foi convencido a não se suicidar. Neste caso, o final foi feliz, segundo o palestrante, que enfatiza a importância do papel do especialista na tentativa de ajudar seus pacientes, mas nem sempre isso ocorre. Para ele, os psiquiatras  perdem alguns pacientes, mas salvam muitos e isso os motiva a  continuar sempre buscando resultados positivos.  Levantou  outros filmes, entre eles os que  tratam de suicídios entre  jovens como Romeu e Julieta e A sociedade dos poetas mortos, com mortes   motivadas pela opressão das  famílias.

 

 

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