Desejos da Morte e Tentativas de Suicído

O final da tarde de sexta-feira, 4 de setembro, do IXX Congresso Latino-Americano de Prevenção do Suicídio teve a presença de dois palestrantes internacionais, na mesa-redonda “Desejos da Morte e Tentativas de Suicído”o psiquiatra Freddy Vasques, do Peru, que fez brilhante palestra sobre “Tentativas de Suicídio em pacientes com vitiligo” e a argentina Diana Altavilla, cujo tema foi  “Desejo de morte e desejo de maternidade: polaridades retaliativas à morte próxima”. Participou ainda desta mesa Luciana de Almeida Santos, que reuniu as duas funções de coordenadora e  palestrante, falando sobre “Itinerários terapêuticos percorridos por pessoas que tentaram o suicídio”.

Desejo de morte e de maternidade

“Compreender  as próprias regras do processamento psíquico é conhecer profundamente os mecanismos de adaptação privilegiados e/ou ocasionais que cada pessoa utiliza”. Desta forma a renomada psicóloga argentina Diana Altavilla, doutora em Psicologia pela Universidade de El Salvador e membro da Associação Internacional de Prevenção ao Suicídio, terminou sua palestra “Desejo de morte e desejo de maternidade: polaridades retaliativas à morte próxima”. Para a psicóloga, vários são os motivos que levam às mulheres a pensar no autoextermínio. Normalmente são gravidezes de adolescentes com história de abusos sexuais, inclusive entre familiares e transtornos alimentares graves: “Trabalhei durante vinte anos com jovens mulheres – nove primas – que queriam se suicidar porque estavam grávidas e o trabalho envolveu várias etapas, inclusive a trilogia da afeição que envolve o enigma – por que o suicídio?, as causas buscadas; o legado, que são as derivações do suicídio e o pré-histórico do ato suicida, ou a derivação do ato suicida”, explica a especialista.

Pacientes com vitiligo suicidam?

Especialista em suicidologia, o psiquiatra peruano Freddy Vasquez fez uma explanação sobre “Tentativa de suicídio em pacientes com vitiligo”. Até então conhecida com uma doença da pele inofensiva, de uns tempos para cá o vitiligo passou a preocupar também os setores da medicina ligados aos transtornos mentais. Isso porque as manchas na pele, que chamam a atenção e  são motivo de bullying na infância, causam constrangimento,  levando as pessoas a se isolarem, podendo provocar depressão e influenciando negativamente na qualidade de vida desses pacientes, muitos deles chegando ao autoextermínio.

Itinerários terapêuticos percorridos por pessoas que tentaram o suicídio

Luciana de Almeida Santos, que é especialista em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas e mestre em psicologia pela PUC Minas, além de ser  membro da Associação Brasileira de Prevenção e Estudos sobre Suicídio, iniciou sua exposição contando sobre a experiência que tem no Hospital João XXIII, instituição que atende emergências de diversas origens, inclusive de tentativas de suicídio, que normalmente geram lesões físicas graves. Inicialmente, todas as ações são envidadas para que o paciente melhore sua saúde, depois de atendidos ali mesmo pela ala da psicologia, são  encaminhados ao atendimento específico. Luciana apresentou, ainda, um estudo realizado recentemente no  qual os pacientes dizem que vivem em sofrimento, mas não se sentem doentes e alegam não ser necessário encaminhá-los ao   Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam). Além disso criticam a postura dos funcionários destes centros, muitas vezes não treinados para atendê-los pela própria deficiência do estado.

 

 

 

 

 

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